
Não estou desenhando com tremenda atividade, mas venho devaneando e muito sobre relações que se estabelecem na minha casa. Fiquei excitado quando vi essa semana um livro “Shape of things to come: new sculpture” na livraria cultura. Quero fazer coisas que me digam, me façam perguntas!
Ontem, praticamente não dormi. Decidi que iria arrumar minha casa, pois no chão até cacos de vidro se encontram. Acabei arrumando uma parte da casa que é onde estou dormindo (tem um colchão no chão). Basicamente só varri o chão e coloquei algumas coisas em cantos.
Quando fui para o aposento maior da casa, uns 4 x 4 m... comecei a mexer nos objetos arranjados entre si que lá estavam, estava ouvindo Pink Floyd e isso me ajudou a entrar na imersão da criação. Fiquei compondo entre os objetos do espaço e fiz algo que até então só tinha em mente.
Tem uma pintura feita sobre papel colada na parede, certo dia iria tirar-la de la, mas me deparei com uma frase manuscrita no próprio e dizia: “pensar diante disto qual a importância” como que uma incógnita, não o removi (intuição).
Por vários dias não me veio a resposta. Por enquanto somente mais perguntas. Mas emocionalmente me dizia coisas. Pintura/ linguagem [me dizia coisas que não são traduzidas, pois operam em outra parte do cérebro] me comuniquei com ela.
Sei que depois de ver o livro, que só é composto por imagens de esculturas e instalações de artistas diversos parece que encontrei uma resposta/ ou parte dela. Queria de qualquer forma, transpor a sinestesia da pintura no espaço tridimensional. ISSO NÃO TEM um porque. É um impulso de dentro, que estava freado até eu me dar conta ontem que tinha os materiais em mãos.

Pois então fui dormir depois das quatro, ou seja, essa imagem é tão hoje quanto eu. Vejo luz nisso.
Gustavo Ferro, 06/04/2010